AIDS e Grupos de Ajuda Mútua

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Ajudua Mutua e solidariedade

No Brasil, a exemplo de outros países, o terrorismo causado pelas inverdades espalhadas sobre esta doença – tipo “todo soropositivo vai desenvolver AIDS” e “todo portador de AIDS vai morrer a curto prazo”- está sendo vencido, ainda que num ritmo lento. Isso, na medida em que os soropositivos procuram ajuda, informando-se em fontes seguras (o que, definitivamente, não inclui a mídia sensacionalista) e agrupam-se para trocas de experiências, traçarem planos de apoio mútuo e brigar por uma melhor qualidade de vida e pela oportunidade de trocar figurinhas com outras pessoas que passaram e passam pela mesma situação.
Destes grupos, participam pessoas que não acreditam estar sentenciadas à morte por um simples diagnóstico de HIV ou AIDS, bem como voluntários que desejam participar desta luta e contribuir para a extinção do preconceito que ainda cerca essa epidemia. Gente que perdeu amigos, parentes ou companheiros de vida, une-se, para compartilhar ânimos, derrotas e conquistas, com quem literalmente sente no sangue a realidade da AIDS. Numa opção consciente pela vida, essa pessoas tem a oportunidade de modificar suas atitudes, estabelecer novos valores e novas prioridades. Com isso, amadurecem suas idéias a respeito da, até então impensada, morte.
Os grupos de ajuda mútua e mesmo a formação e consolidação da RNP+ em todo o território brasileiro são uma resposta dos soropositivos às entidades que vivem da indústria da AIDS, ou seja, que canalizam recursos financeiros de organismos internacionais em prol de projetos de prevenção e assistência (assistencialismo na grande maioria) às pessoas vivendo com HIV e AIDS. A verdade é que muitas entidades ainda realizam projetos, usando alguns portadores com fins meramente assistencialistas e caritativos, apenas para justificar a própria captação de recursos. Em nenhuma instância promovem a dignidade do ser humano soropositivo ou permitem-lhe gerir seus projetos. Ao contrário, contribuem para a vitimização da pessoa que vive com HIV/AIDS, pois ela sempre será vista como o(a) coitadinho(a), que tem que ser posto no colo o tempo todo e a quem jamais se cobrará uma atitude construtiva diante da vida e do futuro. À vítima da AIDS só sobra o direito de reclamar, ganhar remédios e uma cesta básica.
Uma organização séria e decente é aquela que acolhe o soropositivo com afeto e solidariedade, permanece do seu lado em sua luta contra a doença e os males sociais advindos com o seu diagnóstico, mas sobretudo, procura através de ações concretas promover o resgate da sua auto-estima, da sua habilidade em lidar com os limites impostos pela doença, a consciência dos seus direitos fundamentais e dos seus deveres. A esmola não dignifica ninguém, portanto é necessário proporcionar ao soropositivo a chance de equilibrar-se interiormente, investir em sua vida profissional, capacitá-lo para possíveis adaptações no campo profissional ou o seu retorno ao mercado de trabalho. Doação de cestas básicas pode até ser absolutamente necessárias dentro de um programa de apoio ao soropositivo carente, mas o que mais se observa na maioria das ONGs que se propõem a assistir a pessoa vivendo com HIV/AIDS é uma política de cestabasicoterapia e fornecimento de remédios. Só.

Mais informações sobre isso podem ser adquiridas no meu livro “Grupos de Ajuda Mutua Para Pessoas Vivendo com HIV-AIDS”, publicado pela Coordenação Nacional de DST-AIDS www.aids.gov.br e disponivel para download no meu site.

1 Comentário on "AIDS e Grupos de Ajuda Mútua"

  1. claudio

    Pouco temos visto isto dentro dos SAES. Tentamos cooptar estas pessoas para participarem das RNP+ ,lembrando que além de momentos políticos se tem os momentos de ajuda mutua onde a troca de ideias e até um abraço e ou aperto de mão, é importante para quem eh soropositivo. Concordo quando se fala no bruto assistencialismo (uso) por algumas outras entidades. Geralmente no fim do ano eh que tentamos arranjar cestas básicas para os que mais necessitam, como um meio de comemoração natalina. O passeio ciclístico do dia mundial com o SESC,forma entregues mais ou menso 200 kg de alimentos que foram divididos para os mais carentes. Não temos um programa destinado as PVHA de Alagoas,exclusivo para distribuição de cestas. Já fomos na secretaria de assistência ,mas apenas nos deram algumas informações de como são distribuídas de acordo com os projeto deles e seu público alvo.

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