Ativista denuncia interrupção de atendimento no Hospital Municipal da Piedade, no Rio

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A ativista Regina Bueno está denunciando, nas redes sociais, interrupção de atendimento às pessoas vivendo com HIV/aids no Hospital Municipal da Piedade, bairro da zona norte do Rio de Janeiro. Publicamos abaixo a denúncia na íntegra. Veja a extrema gravidade da situação:

“DENÚNCIA SOBRE INTERRUPÇÃO DO ATENDIMENTO NO HOSPITAL MUNICIPAL DA PIEDADE-RJ

Sou REGINA BUENO, advogada, mestre em saúde pública em saúde coletiva e, principalmente, ativista militante da causa de IST, HIV e AIDS no Município do Rio de Janeiro há 23 anos. Recebi a informação de que, novamente, o HOSPITAL MUNICIPAL DA PIEDADE, RJ/RJ, está repetindo o que já pensou em fazer em dezembro de 2019, momento em que a mídia exerceu um papel preponderante naquele momento para que outras atitudes fossem tomadas e o Hospital estivesse aberto na área de epidemiologia, até hoje.

Hoje, denunciamos, novamente, o fechamento do AMBULATÓRIO e SETOR DE INTERNAÇÕES (DIP). São 6 leitos de enfermaria e 4 de isolamento, reservados para pessoas VIVENDO com HIV/AIDS no Município. Em uma nova tentativa, a direção da unidade DESCONTINUARÁ TOTALMENTE o programa de HIV/AIDS do hospital dentro em breve.

A informação pode ser confirmada com usuários que lá são atendidos e com base nas orientações da Secretaria Municipal de Saúde do RJ (SMS-RJ), no ofício circular/SUBPAV/CDT/GDAIDS nº 07/2020, de 25 de março de 2020, que tem como objetivo: “esclarecer os profissionais da REDE MUNICIPAL em relação às medidas a serem adotadas durante a pandemia de COVID 19, com o objetivo de reduzir a circulação de pessoas portadores do HIV e otimizar as atividades relativas ao atendimento…” que no seu item 1 é categórica em dizer:

“1. O atendimento às pessoas vivendo com HIV na cidade do Rio de Janeiro, mesmo em vigência da pandemia de COVID-19, NÃO SERÁ INTERROMPIDO (cx alta nossa). Paciente recém-diagnosticados devem ter seu tratamento iniciado, e pacientes em tratamento devem ter mantido seu tratamento, incluindo as profilaxias e tratamento de ILTB, evitando-se as consultas presenciais sempre que possível.”

Diante do acima orientado pela SMS-RJ, se pergunta o porquê do SR. Diretor, Dr. Sérgio Adeodato, vislumbrar, NOVAMENTE, desativar completamente o atendimento a mais de 300 pacientes, muito bem tratados, com vínculos perenes naquele estabelecimento hospitalar que do Município é o ÚNICO que tem leitos de isolamento. Afinal, TB + HIV hoje são as maiores causas de mortes, segundo boletins epidemiológico nacional.

O atendimento requer um cuidado contínuo e de muita atenção – pois estamos com números de adesão muito ruins no RJ, vide boletim epidemiológico de HIV/Aids do RJ de 2018 –, evitando mais problemas à saúde pública do que ora está se tendo com a COVID-19.

Por que não minimizar riscos de maior contingência na saúde pública com a continuidade de um exemplar tratamento as PVHA?

Para tanto, seguem contatos de dois usuários do referido hospital, ambos usuários do programa, para possíveis conversas ou entrevistas. Confiamos que V.Sas. apurarão os fatos com o RIGOR e DISCRIÇÃO QUANTO AO USO DE IMAGEM E FALAS DOS ENTREVISTADOS, preservando-as em função do estigma social ainda existente no sociedade. Marcelo XXXXX – (21) 9XXXX-1426 e Márcio XXXXX – (21) 9XXXX-3032 [para preservar a identidade e a privacidade das pessoas mencionadas, a RNP+BRASIL retirou seus sobrenomes e números de telefone].

Cabe ressaltar que, na última semana, a médica do programa DST/AIDS, não renovou seu contrato junto a Secretaria Municipal de Saúde, com término no dia 7/05/20, e outros dois médicos recém-contratados, hoje, dia 15/05/20, também foram desligados do programa, após terem cumprido aviso prévio, o que era do conhecimento da Direção do Hospital Municipal da Piedade.

Sabemos que estamos vivendo um momento delicado diante da Pandemia de COVID-19! Mas como ficarão nossas consultas, necessidades de internações específicas e avaliações de exames? Em momentos de COVID-19 não podemos descuidar dos tratamentos de usuários em condições crônicas e com problemas sociais e comorbidades gravíssimas.

O cenário da unidade é lamentável e muito preocupante!”

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