Aumento nos casos de covid prova que flexibilização da pandemia foi precipitada

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Médica sanitarista Karina Calife cobra atenção das autoridades e da população para a vacinação contra a covid-19 e o uso de máscaras em ambientes fechados

“O Brasil teve uma condução no enfrentamento à pandemia que não foi só pífia. Ela foi também intencional. Então parece que não há interesse de que as pessoas saibam o que está acontecendo” – Foto: Marcelo Camargo/ABr

 

Para a professora e médica sanitarista Karina Calife, o atual cenário da pandemia de covid-19 no Brasil mostra que o país foi precipitado ao flexibilizar as medidas de segurança sanitária, principalmente pela liberação do uso de máscaras em locais fechados. Em entrevista ao programa Revista Brasil TVT nesse fim de semana a especialista advertiu que a flexibilização pelo governo federal e em alguns estados e municípios “nunca teve um suporte do ponto de vista técnico e científico”, o que está diretamente associado ao registro de aumento de novos casos da doença do coronavírus.

“Foi precipitado porque a pandemia não acaba por decreto”, alertou aos jornalistas Cosmo Silva e Ana Rosa Carrara. Conforme reportou a RBA, na última quinta (26), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou boletim Infogripe indicando uma tendência de aumento dos casos de covid-19 em todas as regiões do país, durante a última semana epidemiológica, entre 15 e 21 de maio. Segundo o levantamento, a doença do novo coronavírus respondeu por cerca de 48% das ocorrências de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) nas últimas quatro semanas. Em relação às mortes por SRAG, 84% estão relacionadas à covid.

O boletim ainda destaca que a tendência de crescimento de SRAG com o aumento de casos de covid-19 não é recente. Há sinais significativos de crescimento nas tendências de longo prazo (últimas 6 semanas) e de curto prazo (últimas 3 semanas). Diante da alta, Karina Calife destaca que a população e as autoridades precisam retomar as medidas sanitárias. “Na verdade, não deveríamos ter parado de nos cuidar. (É preciso ter) principalmente atenção à primeira, segunda ou terceira dose. E quarta dose para quem tiver no seu momento de fazer isso. E a utilização de máscaras em ambientes fechados, isso é fundamental”, destaca.

Os cuidados seguem

A médica sanitária ressalta que o Brasil viveu um período de trégua em relação ao cenário epidemiológico por conta da onda de ômicron, em janeiro de 2021. Assim como pelo avanço da vacinação. Mas o momento volta a ser de atenção e o aumento de casos deve continuar nas próximas semanas. Ela enfatiza que essa não é a hora de tirar a máscara, especialmente em ambientes fechados. E comenta que o ideal é evitar ser infectado pela doença do novo coronavírus. Karina lembra que, mesmo que a vacinação venha também reduzindo o número de óbitos, estudos mostram entre 10% a 30% dos casos desenvolveram sequelas que diminuem a qualidade de vida ou mesmo a chamada covid longa.

“O Brasil teve uma condução no enfrentamento à pandemia que não foi só pífia. Ela foi também intencional. Então parece que não há interesse de que as pessoas saibam o que está acontecendo, o que significa o nosso comportamento no dia a dia, como podemos fazer para pelo menos diminuir as chances de que a gente se infecte ou de infectar as pessoas à nossa volta. Temos que entender essa importância de pacto coletivo para compreender que as desigualdades no Brasil e no mundo. Até que a gente resolva e consiga dar respostas tanto do ponto de vista de imunização, mas de alguns cuidados também”, garante a médica sanitarista.

Nesse domingo (29), o Brasil registrou oficialmente 62 mortes e 8.195 novos casos de covid-19, de acordo com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass). Ao todo, o país contabiliza mais de 30.953.579 diagnósticos positivos para a doença do novo coronavírus e 666.453 vidas perdidas.

Confira a entrevista:

Fonte: Rede Brasil Atual – RBA

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