Como superar os atuais entraves à vacinação no Brasil

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País aplicou mais de 370 milhões de doses de imunizantes, apesar da forte campanha contrária presidencial. Mas é imprescindível um maior esforço nessa reta final, para alcançar ao menos 90%. Fortalecer o SUS continua sendo a melhor saída

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Do site OutraSaúde

Embora um dos países do mundo com maior sucesso em vacinar sua população, o Brasil ainda precisa impulsionar a fase final da campanha. Hospitais pelo país têm registrado um índice maior de contaminações e óbitos entre aqueles que não se imunizaram, ou que tomaram apenas a primeira dose. Mas há o temor, por alguns pesquisadores, de que tenhamos alcançado um platô na vacinação – e é preciso pensar em campanhas que levem em conta essa situação, daqui pra frente. Uma matéria do jornal Nexo detalha esse ambiente e busca apontar saídas para alcançar os não vacinados.

Os dados da vacinação são animadores: a primeira dose chegou a 80,8% e 70,8% estão com o esquema completo; embora por enquanto apenas 24,8% tenham recebido a vacina de reforço. Entre aqueles com idade acima de 12 anos, a adesão aos imunizantes é muito alta, de 95,7% com pelo menos a primeira dose. Mas entre as crianças, a campanha está muito aquém do necessário: apenas 19% foram tomar a primeira dose – e elas são essenciais para que alcancemos um nível suficiente de vacinados para conseguir conter a pandemia. O SUS, segundo o ministério da Saúde, já tem capacidade para vacinar ao menos 70% delas.

Outro entrave para o avanço da vacinação entre os brasileiros é a disparidade entre os estados, como mostra o gráfico acima. Enquanto em estados como São Paulo, Piauí e Ceará cerca de 80% dos cidadãos já está com a primeira dose, em Roraima e Amapá o total não chega a 60%. São regiões mais remotas, que podem sofrer de problemas logísticos e de falta de informação sobre as vacinas, aponta Daniel Vilela, pesquisador do Observatório Covid-19 da Fiocruz, em entrevista ao Nexo. Entre os indígenas, por exemplo, a desconfiança é alta e apenas 44% deles estão imunizados – embora estejam entre os mais vulneráveis e os que mais sofreram durante a pandemia.

Não existe solução única para alcançar aqueles que ainda não tomaram a segunda dose e os que ainda não se vacinaram. É preciso compreender cada contexto e traçar estratégias específicas. Mas apostar na alta capilaridade do SUS é um dos caminhos mais eficazes. Vilela destaca como os agentes comunitários de saúde não foram suficientemente aproveitados na campanha de vacinação. São profissionais ligados ao SUS que atuam em suas comunidades fazendo visitas às casas e oferecendo informações, esclarecendo dúvidas e encaminhando as pessoas aos postos de saúde quando necessário – programa tomado como ótimo exemplo de política de Saúde em matéria recente do jornal norte-americano Los Angeles Times.

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