Declaração de Consenso Indetectável é igual a Intransmissível: I = I

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O Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo, declarou, por meio de nota, que indetectável é igual a intransmissível. O primeiro programa governamental de enfrentamento à epidemia de AIDS criado no Brasil torna-se também o primeiro a concordar com a Declaração de Consenso I = I (Indetectável igual Intransmissível).

Emitida em 8 de dezembro passado, a nota do programa paulista ressalta que “uma correta percepção do nível de transmissibilidade tem potenciais efeitos positivos sobre a sorofobia (estigma) e sorofobia internalizada (autoestigma), direitos sexuais e reprodutivos, testagem, vinculação aos serviços de saúde e adesão ao tratamento”.

Antes de São Paulo, em setembro, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) confirmaram que“as pessoas que tomam diariamente a terapia antirretroviral (TARV) conforme prescrito e conseguem e mantêm uma carga viral indetectável não têm efetivamente risco de transmissão sexual do vírus para um parceiro HIV-negativo”.

Sobre I = I, em novembro o jornal The Washington Post afirmou que “a campanha está creditada como o início da mudança da percepção pública da transmissibilidade do HIV”. Em editorial online, também em novembro, The Lancet foi categórico. “I = I é uma campanha simples, mas importante, baseada em uma base sólida de evidências científicas.” Ainda segundo o respeitado periódico científico, com “o CDC apoiando oficialmente a ciência por trás da campanha é outro passo fundamental para que I = I seja a mensagem mais importante de 2017 na luta contra o HIV.”

Ainda em dezembro, em documento com as principais resoluções do VII Encontro Nacional, divulgado por ocasião do Dia Mundial de Luta contra a AIDS, a RNP+BRASIL salientou que em todo o mundo a informação tem sido amplamente divulgada, exceto no Brasil.

 

 

O que é I = I?

A Declaração de Consenso Indetectável igual Intransmissível explica o risco de transmissão de uma pessoa vivendo com HIV por via sexual:

Risco de transmissão do HIV a partir de uma pessoa vivendo com HIV que tenha carga viral indetectável

“Pessoas vivendo com HIV em tratamento antirretroviral com carga viral indetectável em seu sangue têm um risco negligenciável (*) de transmissão sexual do HIV. Dependendo das drogas empregadas pode levar até seis meses para que a carga viral fique indetectável. Supressão viral do HIV contínua e confiável requer a seleção de medicamentos apropriados e excelente adesão ao tratamento. A supressão viral do HIV deve ser monitorada para assegurar tanto os benefícios de saúde pessoal quanto de saúde pública.”

(*) negligenciável = tão pequeno ou sem importância que não vale a pena considerar; insignificante.

 

Evidências científicas
Agora há confirmação baseada em evidências de que o risco de transmissão do HIV a partir de uma pessoa vivendo com HIV ou AIDS (PVHA), que esteja em Terapia Antirretroviral (TARV) e conseguiu uma carga viral indetectável no sangue por pelo menos seis meses, é negligenciável ou inexistente. O HIV nem sempre é transmitido mesmo com carga viral detectável, mas quando o parceiro com HIV tem carga viral é indetectável, isto não só protege a saúde do soropositivo como também impede novas infecções[i].

Entretanto, a maioria das PVHA, profissionais de saúde e aqueles em risco potencial de infecção pelo HIV não estão cientes da magnitude da prevenção do HIV que ocorre com um tratamento que funciona[ii]. A maior parte das informações sobre o risco de transmissão do HIV é baseada em pesquisas antigas e influenciadas por restrições de agências ou de fundos e também por políticas que perpetuam negatividade sexual, estigma e discriminação em relação ao HIV.

A Declaração de Consenso acima, abordando o risco de transmissão do HIV por PVHA que tenham uma carga viral indetectável, é endossada por importantes investigadores de cada um dos estudos mais proeminentes que examinaram esta questão. É importante que pessoas vivendo com HIV, seus parceiros íntimos e profissionais de saúde tenham informações precisas sobre os riscos de transmissão do HIV a partir dos que obtiveram sucesso na TARV.

Ao mesmo tempo, é importante reconhecer que muitas PVHA podem não chegar a alcançar o status de indetectável por conta de fatores que limitem acesso a tratamento (ex.: sistema de saúde inadequado, pobreza, racismo, negação, estigma, discriminação e criminalização), uso prévio da TARV que tenha resultado em resistência a antirretrovirais ou toxicidade aos medicamentos. Alguns podem escolher não se tratar ou podem ainda não estar preparados para iniciar o tratamento.

O entendimento de que a TARV eficaz previne a transmissão pode ajudar a reduzir o estigma ligado ao HIV e encorajar PVHA a iniciar e aderir a um tratamento com antirretrovirais que funcione.

 

Por que I = I?

Uma comunidade de pessoas vivendo com HIV colaborou com os principais pesquisadores sobre a transmissão sexual do HIV para responder a uma questão fundamental sobre viver com HIV e ter uma carga viral indetectável: Eu transmitirei HIV para meu parceiro sexual?

A ciência é clara. As pessoas que vivem com HIV podem ter certeza de que, se tiverem uma carga viral indetectável e tomarem seus medicamentos corretamente conforme prescrito, não transmitirão HIV para parceiros sexuais. Daí a conclusão: Indetectável = Intransmissível.

I = I oferece liberdade e esperança. Para muitas pessoas que vivem com o HIV e seus parceiros, I = I abre escolhas sociais, sexuais e reprodutivas que eles nunca achavam que fosse possível.

I = I é uma oportunidade sem precedentes para transformar a vida das pessoas com HIV e o campo [da prevenção], pois:

* Reduz a vergonha e o medo da transmissão sexual e abre possibilidades de conceber crianças sem meios alternativos de inseminação.

* Desmantela o estigma do HIV no nível comunitário, clínico e pessoal.

* Encoraja as pessoas que vivem com HIV a iniciar e aderir a um tratamento que as mantenha e a seus parceiros saudáveis.

* Oferece um forte argumento de saúde pública para o acesso universal ao diagnóstico, ao tratamento e a cuidados para salvar vidas e nos aproximar do fim da epidemia.

No entanto, a maioria das milhões de pessoas vivendo com HIV [no mundo, e a maioria das milhares de pessoas diagnosticadas no Brasil] não conhece I = I, e muitas não têm acesso ao diagnóstico, ao tratamento e aos cuidados que precisam para alcançar e manter a carga viral indetectável.

Ainda há mensagens confusas, sites desatualizados e formuladores de políticas e profissionais de saúde desinformados, que não estão confortáveis para compartilhar esta informação, ainda não sabem sobre isso ou ainda não percebem o significado disso.

O movimento I = I da Campanha de Acesso à Prevenção está mudando essa narrativa ao se unir com Parceiros da Comunidade em todo o mundo para garantir que essa pesquisa inovadora chegue às pessoas e ao campo que se destina a beneficiar.

NOTA: Uma carga viral indetectável é tipicamente inferior a 40 cópias/ml, dependendo dos testes de diagnóstico. No entanto, estudos mostram que uma pessoa vivendo com HIV em terapia antirretroviral (TARV) com uma carga viral de 200 cópias/ml ou menos também não pode transmitir sexualmente o HIV. Isso é chamado de “supressão viral”. Para os propósitos da campanha I = I e de qualquer material da Campanha de Acesso à Prevenção, o termo “indetectável” é usado de forma sinônima ao termo “supressão viral”, o que significa que uma pessoa vivendo com HIV com uma carga viral de 200 cópias/ml ou menos não pode transmitir o HIV.

 

A Declaração é endossada por:

  • Michael Brady – Diretor Médico do Terrence Higgins Trust e Infectologista Conselheiro, Londres, Reino Unido;
  • Myron Cohen – Investigador Chefe, HPTN 052; Divisão de Doenças Infectocontagiosas, Escola de Medicina UNC, Carolina do Norte, EUA;
  • Demetre C. Daskalakis, MPH – Encarregado Assistente, Escritório de Prevenção e Controle de HIV/AIDS, Departamento de Saúde e Higiene Mental da cidade de Nova York, Nova York, EUA;
  • Andrew Grulich – Investigador Chefe, Opposites Attract; Chefe do Programa de Prevenção e Epidemiologia do HIV, Instituto Kirby, Universidade de Nova Gales do Sul, Austrália;
  • Jens Lundgren – Co-investigador Principal, PARTNER; Professor, Departamento de Doenças Infecciosas, Rigshospitalet, Universidade de Copenhague, Dinamarca;
  • Mona Loutfy, MPH – Autora principal da Declaração Canadense sobre o HIV e sua transmissão no contexto do Direito Criminal; Professora Associada, Divisão de Doenças Infecciosas, Hospital do Women’s College, Universidade de Toronto, Toronto, Ontario, Canadá;
  • Julio Montaner – Diretor do Centro para Excelência em HIV/AIDS da Columbia Britânica; Diretor do IDC; Diretor do Programa de Médicos do HIV/AIDS PHC, Vancouver BC, Canadá;
  • Pietro Vernazza – Comitê Executivo, PARTNER; Autor, Swiss Statement 2008, Atualização 2016; Chefe da Divisão de Doenças Infecciosas, Hospital Cantonal de St. Gallen, Suíça.

 

A Declaração também é endossada por 550 organizações de 70 países em todo o mundo. Do Brasil, quatro organizações assinam a Declaração de Consenso: o GIV – Grupo de Incentivo à Vida, o Fórum das ONG/Aids do Estado de São Paulo, vHIVo.com e a Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e AIDS – RNP+BRASIL.

 

Novamente, a Declaração:

Pessoas vivendo com HIV em tratamento antirretroviral com carga viral indetectável em seu sangue têm um risco negligenciável de transmissão sexual do HIV. Dependendo das drogas empregadas, pode levar até seis meses para que a carga viral fique indetectável. Supressão viral do HIV contínua e confiável requer a seleção de medicamentos apropriados e excelente adesão ao tratamento. A supressão viral do HIV deve ser monitorada para assegurar tanto os benefícios de saúde pessoal quanto de saúde pública.

NOTA: Uma carga viral indetectável de HIV somente impede a transmissão do vírus para parceiros sexuais. Preservativos também ajudam a prevenir a infecção pelo HIV assim como outras infecções sexualmente transmissíveis (IST) e gravidez. A escolha do método de prevenção para o HIV pode ser diferente dependendo das práticas sexuais de uma pessoa, das circunstâncias e de seus relacionamentos. Por exemplo, se alguém tem relações sexuais com múltiplos parceiros ou está em uma relação não-monogâmica, pode considerar a utilização de preservativos para prevenir-se de outras IST.

“NEGLIGENCIÁVEL” = tão pequeno ou sem importância que não vale a pena considerar; insignificante.

 

Citações adicionais de especialistas, fontes e explicações[iii]

  1. “No mês passado, a comunidade médica e científica mundial na vanguarda da pesquisa e cuidados com o HIV se reuniu em Paris para a nona Conferência da Sociedade Internacional AIDS, onde anunciaram – inequivocamente – que uma carga viral indetectável do HIV significa que o HIV não é transmissível”. Dr. Julio Montaner, Professor de Medicina na UBC-Killam; Presidente da Fundação UBC-St. Paul’s Hospital em Pesquisa de AIDS (Agosto, 2017);
  2. “Este é um desenvolvimento monumental na resposta ao HIV e pessoas demais não estão tendo acesso a esta mensagem e recebendo seu benefício integral. Uma pessoa vivendo com HIV que tenha carga viral suprimida de forma sustentada não apresenta risco de transmissão do HIV. Este desenvolvimento coloca cada um de nós vivendo com HIV na linha de frente para o fim de novas infecções, e dá a todos uma linguagem forte, clara e direta para parar o estigma e fazer com que todas as comunidades se movam a passos mais largos em direção ao fim da epidemia.” – Jesse Milan Jr., Presidente e CEO, Declaração da AIDS United (Março, 2017).
  3. “Pesquisas demonstrando que pessoas vivendo com HIV que tenham supressão viral não podem transmitir HIV para outras pessoas é uma das mais importantes conquistas em prevenção do HIV na última década. É agora mais importante do que nunca que consigamos garantir acesso universal à terapia antirretroviral e educar nossa comunidade sobre os benefícios de saúde pública do tratamento eficaz para o HIV.” – Craig E. Thompson, CEO, declaração da APLA Health (Março, 2017).
  4. “A Desmond Tutu HIV Foundation valida fortemente a mensagem principal de Prevention Access Campaign: HIV Indetectável é HIV Intransmissível (I=I, ou em inglês U=U). Uma pessoa HIV-positiva que mantém uma carga viral indetectável com ajuda de um tratamento regular e eficaz não pode transmitir sexualmente o HIV. Este conhecimento tem o potencial para alterar percepções negativas em torno da doença, e ainda assim a mensagem não chegou a todos.” – Declaração de Desmond Tutu HIV Foundation (Março, 2017).
  5. “A NAM aidsmap, uma das principais fontes de informação acerca do HIV no mundo, endossa fortemente a Declaração de Consenso ‘Undetectable Equals Untransmittable (U=U)’ lançada por Prevention Access Campaign. A evidência científica é clara. Uma pessoa que possui níveis indetectáveis de HIV no sangue não apresenta risco de infecção para seus parceiros sexuais. Este entendimento transforma a maneira como o HIV é considerado com implicações enormes para o que significa agora viver com HIV e as melhores maneiras de prevenir-se.” – Declaração da NAM aidsmap (Fevereiro, 2017).
  6. “A NASTAD se junta a especialistas e líderes na área da saúde ao afirmar que agora há evidência científica conclusiva de que uma pessoa vivendo com HIV que esteja utilizando a terapia antirretroviral (TARV) e tenha supressão viral duradoura (definida como uma carga viral constante de <200 cópias/ml) não transmite o HIV sexualmente.” – Declaração da NASTAD (Fevereiro, 2017).
  7. “Todos nós aqui na CATIE, e também ao redor do mundo, estamos comemorando o maior avanço no mundo do HIV desde o advento da terapia antirretroviral combinada 20 anos atrás – pessoas vivendo com HIV com carga viral indetectável sustentada podem declarar com confiança a seus parceiros sexuais “Não sou infeccioso!” Isto muda completamente tudo e aqueles que vivem com HIV podem compartilhar esta informação com orgulho. Ao mesmo tempo, profissionais de saúde que lidam com HIV devem alcançar o passo e compartilhar com suas comunidades o quanto puderem.” – Laurie Edmiston, Diretora Executiva, Declaração da CATIE – Canadian AIDS Treatment Information Exchange (Janeiro, 2017).
  8. “ A evidência científica é clara e inequívoca: tratamento eficaz reduz a transmissão do HIV a zero. A Declaração de Consenso destaca um consenso científico nunca visto antes de que diagnóstico precoce e tratamento com terapia antirretroviral não somente restaura pessoas vivendo com HIV para uma expectativa de vida normal mas também tem impactos na saúde pública que vão longe.” – Declaração conjunta da ICASO (International Council of AIDS Service Organizations) e da INA (Māori, Indigenous & South Pacific) HIV/AIDS Foundation (Janeiro, 2017).
  9. “…estudos têm provado que quando um indivíduo vivendo com HIV está usando a terapia antirretroviral e o vírus está suprimido de forma duradoura, o risco de ele ou ela transmitir o vírus por via sexual é negligenciável.” – Anthony S. Fauci, M.D., Diretor, Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas; Carl W. Dieffenbach, Ph.D., Diretor, Divisão de AIDS, NIAID. NIH Statement on World AIDS Day 2016 (Dezembro, 2016).
  10. “Se você tem supressão viral duradoura você não vai transmitir para seu parceiro… Vou repetir, para alguém que está em uma relação sorodiscordante, se a pessoa [com HIV] apresenta supressão viral, de forma “duradoura” – não tem o vírus em seu sistema, e tem sido assim por vários meses – sua chance de contrair HIV desta pessoa é ZERO. Sejamos claros: ZERO. Se no dia seguinte esta pessoa para de tomar sua medicação e em duas semanas o vírus retorna, o risco aumenta. É por isso que mencionamos supressão viral “duradoura”… Sua supressão viral está diretamente relacionada ao quão certo você toma os medicamentos” – Carl W. Dieffenbach, Ph.D., Diretor, Departamento de AIDS, NIAID, NIH. Entrevista para a NIH (Novembro, 2016).
  11. “Quando um soropositivo inicia o tratamento, leva alguns meses até a replicação viral ser completamente suprimida. Durante este curto período de tempo, o casal deveria usar preservativo. Como alternativa, o parceiro soronegativo poderia utilizar medicamentos antirretrovirais como a profilaxia pré-exposição [PrEP].” – Dr. Myron Cohen, Chefe, Divisão de Doenças Infecciosas, Escola de Medicina UNC, Carolina do Norte, EUA; Investigador Principal, HPTN 052. POZ magazine (Setembro, 2016).
  12. Suprimir a carga viral de alguém vivendo com HIV a níveis indetectáveis “não somente salva vidas mas as impede de infectar outras pessoas. Então quanto maior for a porcentagem de pessoas em tratamento, com cuidados médicos e que tragam sua carga viral para indetectável, mais perto chegamos de literalmente por um fim à epidemia.” – Anthony S. Fauci, M.D., Diretor, NIAID, NIH. Entrevista em Vídeo da NIH (Agosto, 2016).
  13. “..Uma vez iniciado o tratamento, e mantido continuamente com completa supressão viral você não somente se protege do seu próprio HIV, mas você também não é mais capaz de transmitir HIV para parceiros sexuais. Com tratamento antirretroviral eficaz, este indivíduo não é mais infeccioso.” – Carl W. Dieffenbach, Ph.D., Diretor, Departamento de AIDS, NIAID, NIH. Vídeo da NIH em entrevista (Agosto, 2016).
  14. “Podemos dizer agora com confiança que se você toma sua medicação como prescrito, e tem carga viral indetectável pelo período de seis meses, você não pode mais transmitir HIV com ou sem camisinha.” – Dr. Michael Brady, Diretor Médico, Terrence Higgins Trust, Londres, Inglaterra (Julho, 2016).
  15. “A força da evidência tanto na experiência do mundo real quanto em ensaios clínicos confirma que indivíduos com carga viral suprimida têm risco negligenciável de transmitir HIV. O tratamento como prevenção, profilaxia pré-exposição, e meios de prevenção tradicionais, como camisinhas, compõem uma caixa de ferramentas para a prevenção do HIV baseada em redução de riscos que permite que indivíduos tomem decisões personalizadas e conscientes tanto para manter sua saúde quanto para impedir a transmissão do HIV e de IST” – Dr. Demetre C Daskalakis, MPH – Comissário Assistente, Escritório de Prevenção e Controle de HIV/AIDS Departamento de Saúde e Higiene Mental de Nova York (Julho, 2016).
  16. “Isto funciona por um longo período de tempo para pessoas que estejam ansiosas para ficar indetectáveis? A resposta é absolutamente sim, temos agora mais de 10.000 anos-pessoa (de acompanhamento) com zero transmissões a partir de pessoas indetectáveis” – Dr. Myron Cohen. Medpage; NEJM (Julho, 2016).
  17. “Entre casais sorodiferentes heterossexuais e de HSH (homens que fazem sexo com homens) onde o soropositivo faz uso da TARV com supressão viral e que relataram sexo sem camisinha não houve nenhum caso de transmissão do HIV dentro dos casais entre os 58.000 atos de sexo.” – Reportando o estudo PARTNER Dr. Alison Rodger, et al. JAMA. (Julho, 2016).
  18. “Estes resultados são simples de entender – zero transmissões das mais de 58.000 vezes que pessoas transaram sem camisinha [estudo PARTNER] nos dá a estimativa mais forte do real risco da transmissão do HIV quando o parceiro soropositivo tem carga viral indetectável – e este risco é efetivamente zero.” – Simon Collins, Comitê Diretivo, PARTNER, i-BASE (Julho, 2016).
  19. “A declaração [suíça] [foi a primeira declaração de posição que] abordou a infecciosidade de uma pessoa HIV-positiva uma vez que o vírus estivesse estavelmente suprimido por pelo menos 6 meses com a TARV. [A Comissão Federal Suíça para assuntos relacionados à AIDS] sentiu, baseada em uma avaliação de especialistas acerca do risco de transmissão do HIV quando em terapia, que o risco de transmissão do HIV nesta situação era negligenciável.” – Dr. Pietro Vernazza, chefe do Departamento de Doenças Infecciosas, Hospital Cantonal em St. Gallen, Suíça; Comitê Executivo, PARTNER Swiss Medical Weekly (Janeiro, 2016, confirmando a declaração suíça original de 2008).
  20. “O estudo HPTN 052 viu somente casos de transmissão durante a terapia antirretroviral que ocorreram brevemente (dias) após o início da terapia. Se somente transmissões depois de 6 meses na TARV forem consideradas (como estipulado na declaração suíça) a eficácia teria sido 100% com um risco de transmissão de zero.” – Dr. Pietro Vernazza, Swiss Medical Weekly (Janeiro, 2016).
  21. “Alcançar a supressão viral protege o sistema imune do corpo, ajuda as pessoas com HIV a permanecerem saudáveis e impede a transmissão do HIV para outras pessoas.” – UNAIDS – Joint United Nations Programme on HIV/AIDS (2016).
  22. “Nós temos rigorosa confirmação de que o tratamento impede a disseminação do HIV e melhora a saúde das pessoas infectadas.” – Dr. Thomas R. Frieden, Diretor do Centro para Controle de Doenças, EUA, New England Journal of Medicine com fontes como estudos HPTN 052 e PARTNER (Dezembro, 2015).
  23. “A EATG clama para que informação pública de muito melhor qualidade seja disponibilizada na Europa e globalmente sobre os benefícios preventivos da terapia antirretroviral (TARV), e em especial (sobre o fato e que pessoas HIV-positivas com carga viral indetectável não são infecciosas. A ignorância disseminada sobre este fato ajuda a perpetuar o estigma contra e a criminalização das pessoas vivendo com HIV e deveria ser sujeito de uma campanha de conscientização pública custeada, possivelmente em conjunto com uma campanha de conscientização sobre a PrEP.” – European AIDS Treatment Group (EATG) (Outubro, 2015).
  24. “Se as pessoas tomam seus comprimidos sem falta e estejam tomando por um período de tempo, a probabilidade de transmissão neste estudo é, na verdade, zero.” – Dr. Myron Cohen, Chefe, Departamento de Doenças Infecciosas, Escola de Medicina UNC, Carolina do Norte, EUA; Investigador Principal, HPTN 052 Interview with plus (Agosto, 2015).
  25. “[Pessoas com HIV] não transmitirão a infecção, se o vírus estiver indetectável, a seus parceiros.” – Professor David Cooper – Diretor do Kirby Institute para Infecção e Imunidade na Sociedade. Universidade de NSW, Austrália; entrevista para ABC AU (Maio, 2015).
  26. “Quando perguntado sobre o que o estudo nos diz sobre as chances de alguém com carga viral indetectável transmitir o HIV, o apresentador Alison Rodger disse: “Nossa melhor estimativa é que seja zero.” – Reportando sobre os resultados preliminares do estudo PARTNER. Dr. Alison Rodger, University College London, Reino Unido; Autor Principal do estudo PARTNER, NAM-aidsmap (Março, 2014).
  27. “Muitas pessoas querem saber seu status, pois não querem mais ser contagiosas, por confiança em viver suas vidas normalmente. Ouvi dezenas de histórias de pessoas que entraram e disseram, ‘Quero fazer o teste, porque se eu estiver infectado não quero mais ser transmissível.’ Inspirador.” – Dr. Myron Cohen, Chefe do Departamento de Doenças Infecciosas, UNC School of Medicine, Carolina do Norte, EUA; Investigador Principal HPTN 052; MEDPAGE Today(Janeiro, 2013).
  28. “Na verdade, se você der a oportunidade para que o tratamento faça seu trabalho, você terá zero transmissões.” – Dr. Julio Montaner, Diretor do Centro para Excelência em HIV/AIDS da Columbia Britânica; Diretor do IDC e Diretor do Programa de Médicos do HIV/AIDS PHC: TED Talk se referindo ao HPTN 052 (Novembro, 2011).

 

Para assinar como Apoiador Comunitário e validar a Declaração de Consenso visite “Apoiadores Comunitários”.

PAC agradece aos pesquisadores pioneiros e médicos que endossaram a Declaração de Consenso sobre o risco negligenciável: Dr. Myron Cohen, Dr. Demetre C. Daskalakis, Dr. Andrew Grulich, Dr. Jens Lundgren, Dr. Julio Montaner e Dr. Pietro Vernazza. Obrigado a Murray Penner (NASTAD); PAC’s Founding Task Force; Professor Carrie Foote (Indiana University-Indianapolis); Charles King (Housing Works); Jesse Milan (AIDS United), Edwin Bernard (HIV Justice Network); Matt Rose (National Minority AIDS Council-NMAC); Peter Staley; Gus Cairns (NAM aidsmap); e Mark S. King (MyFabulousDisease.com). Agradecimentos a Tom Viola e Broadway Cares/Equity Fights AIDS por seus generosos recursos.

Um agradecimento especial ao Professor Pietro Vernazza por sua pesquisa pioneira e ousado ativismo para melhorar consideravelmente as vidas de pessoas vivendo com HIV. Seu trabalho está sendo finalmente justificado hoje.

Veja outros artigos sobre I = I em português no site do GIV.

Acesse U = U em inglês.

[i] A maior parte da mensagem de prevenção atual refere-se a isto por Treatment as Prevention ou TasP, Tratamento como Prevenção (TcP) em português. Até a redação desta cartilha não houve nenhum caso confirmado de transmissão do HIV a partir de pessoas com carga viral indetectável em nenhum dos estudos. O ponto de corte oficial para carga viral indetectável como definido pela OMS varia de <50 cópias/ml em países com alta renda até <1000 cópias/ml em países com baixa ou média renda. Para os propósitos desta declaração, uma carga viral indetectável é definida por estar abaixo de <200 cópias/ml, que também é a medida para supressão viral.

[ii] Somente uma pequena proporção de pessoas vivendo com HIV em um grande estudo americano sobre tratamento viam-se como não-infecciosas depois de até 3 anos em terapia antirretroviral (TARV), e um terço dos participantes via sua chance de transmitir HIV ainda como “alta”, embora apenas 10% dos participantes tivessem realmente uma carga viral detectável. NAM aidsmap (2016).

[iii] Agradecimentos: Além do PAC’s Founding Task Force e Bruce Richman (Diretor Executivo do PAC), Professor Carrie Foote (Universidade de Indiana – Indianápolis) e Edwin Bernard (HIV Justice Network) revisaram e fizeram contribuições valiosas à cartilha.

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