Pessoas vivendo com HIV têm 28 vezes mais chances de contrair TB; Doença tem cura e o tratamento é oferecido gratuitamente pelo SUS

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A tuberculose (TB) é a doença infecciosa mais frequente nas pessoas vivendo com HIV e tem grande impacto na qualidade de vida e na mortalidade dessa população. De acordo com o Ministério da Saúde, uma pessoa vivendo com HIV tem 28 vezes mais chances de contrair tuberculose do que uma pessoa que não tem HIV. No Brasil, a proporção da coinfecção TB-HIV é de 9,4%.

A coinfecção TB-HIV é a principal causa de morte em pacientes com aids. Em 202, 20,9% das pessoas diagnosticadas com a coinfecção foram a óbito. Por isso, o Ministério da Saúde recomenda que, em todas as oportunidades de atendimento às pessoas vivendo com HIV, seja feita a investigação para tuberculose. Da mesma forma, todas as pessoas diagnosticadas com tuberculose devem ser testadas para o HIV.

Dados do Boletim Epidemiológico de Coinfecção TB-HIV de 2021 revelam que, do total de casos novos de TB notificados em 2020, 75% realizaram testagem para HIV, ou seja, 25% das pessoas com tuberculose no país ainda têm seu status sorológico para HIV desconhecido.

Com o advento da pandemia da Covid-19, a eliminação da tuberculose como problema de saúde pública mundial ficou mais complexa, tendo em vista a diminuição de 25% no diagnóstico e o aumento de 26% da mortalidade por TB no mundo, segundo estimativas divulgadas pela OMS em 2020.

Para alcançar as metas de eliminação da TB no Brasil até 2035, será necessário fortalecer as estratégias para manutenção do diagnóstico, do tratamento e da prevenção da TB como serviços essenciais à população, e trabalhar de forma engajada para superar os impactos da pandemia e acelerar o progresso em torno dos compromissos assumidos. Com metas de redução do coeficiente de incidência para menos de 10 casos por 100 mil habitantes e de mortalidade para menos de 1 óbito por 100 mil habitantes até o ano de 2035, o Plano Nacional Pelo Fim da Tuberculose busca apoiar as três esferas de governo na identificação de estratégias capazes de contribuir para essa redução.

Além dos profissionais de saúde, as pessoas que vivem com o HIV também precisam ficar atentas aos sinais e sintomas da tuberculose – tosse, febre persistente, suor noturno e emagrecimento – e informar o profissional de saúde quando eles surgirem. A tuberculose tem cura e o tratamento é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O tratamento de ambas as infecções é a chave para a redução da mortalidade pela coinfecção TB-HIV e deve ser realizado o mais breve possível, de acordo com as orientações dos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde.

Outra recomendação é a prevenção da infecção por tuberculose latente (ILTB) em pessoas vivendo com HIV. A tuberculose é latente quando a pessoa teve contato com o microbacilo causador da TB, mas não tem a doença ativa. O tratamento da ILTB reduz o risco de reativação da doença em mais de 60%.

No Brasil e no mundo, a coinfecção TB-HIV vem afetando cada vez mais pessoas pobres, moradoras de periferia e com deficiência de moradia, alimentação e condições de saneamento. Por isso, a Organização Mundial de Saúde (OMS), por meio da Estratégia pelo Fim da Tuberculose, propõe uma mudança de paradigma, especialmente no que diz respeito às populações mais vulneráveis, com a concentração de esforços no diagnóstico precoce e na continuidade no tratamento, além de melhores condições de vida das populações mais afetadas.

Grave problema de saúde pública

Conversamos com o assistente social José Carlos Veloso, da Rede Paulista de Controle da Tuberculose sobre os desafios da luta contra a tuberculose no Brasil. “Tuberculose é uma doença transmissível, que já existe há muito tempo, e é transmitida pelo bacilo de koch, transmissível pelo ar, quando espirra ou tosse”, explicou.

Veloso disse que apesar de existir tratamento e cura da TB, a doença ainda é um grave problema de saúde pública. “O Brasil está entre os 30 países com mais números de casos de tuberculose no mundo, é importante ter em mente que temos uma alta carga de tuberculose mundial.”

“Anualmente temos por volta de 70 mil novos casos de tuberculose no Brasil, com 5 mil mortes. Durante a pandemia esse número baixou um pouco, mas não se sabe ao certo se realmente se lockdown contribuiu para a redução da transmissão  ou se é porque não foram notificados”, relatou.

A transmissão

Segundo informações publicadas no site do Ministério da Saúde, a transmissão da tuberculose acontece por via respiratória, pela eliminação de aerossóis produzidos pela tosse, fala ou espirro de uma pessoa com tuberculose ativa (pulmonar ou laríngea), sem tratamento.

Veloso chamou atenção para a desinformação sobre a doença. “Não existe transmissão da TB por talher, roupa, cobertor, é uma lenda, é importante falarmos sobre isso, foi uma fake news construída ao longo do tempo, mas já foi provado que não é verdade, e acaba gerando um grande preconceito e estigma para as pessoas que fazem tratamento da tuberculose.”

O tratamento

Veloso contou que é possível encontrar o tratamento anti-TB em qualquer unidade de saúde do SUS. “O tratamento está disponível na rede pública de saúde e dura no mínimo seis meses, para as pessoas que vivem com HIV/aids é indicado fazer o tratamento da tuberculose no mesmo serviço que ela já faz o tratamento para HIV/aids”, orientou.

No entanto, o especialista chamou atenção para a importância da adesão ao tratamento. “A tuberculose tem cura quando o tratamento é feito de forma adequada, até o final. O papel dos profissionais de saúde é apoiar e monitorar o tratamento da tuberculose, por meio de um cuidado integral e humanizado.”

Uma das principais estratégias para promover a adesão ao tratamento é o Tratamento Diretamente Observado (TDO). O TDO consiste na observação da tomada do medicamento pela pessoa com tuberculose sob a observação de um profissional de saúde ou por outros profissionais capacitados, como profissionais da assistência social, entre outros, desde que supervisionados por profissionais de saúde.

“O tratamento é muito eficaz. Logo nos primeiros dias já é possível notar a melhora. A partir da terceira semana a pessoa infectada com TB  não transmite mais os bacilos. Isso é bom, mas por outro lado é preocupante, é justamente neste momento que muitos pacientes se sentem à vontade para desistir do tratamento. É preciso seguir à risca as orientações médicas”, reforçou Veloso.

“O paciente que não faz o tratamento até o final pode desenvolver uma versão mais forte da doença, com resistência as medicações, muitas vezes é preciso usar remédios mais fortes e o tempo de tratamento será maior. Existem casos de algumas pessoas que ficou tratando a TB por mais de dois anos, um tratamento que, fazendo da maneira certa logo de primeira, dura seis meses. E quando o tratamento for concluído ela não vai voltar a ter tuberculose.”

O assistente social chama a atenção das pessoas sobre um tratamento preventivo que existe contra a TB. “Existe no Brasil, um tratamento preventivo para não desenvolver a tuberculose, que é o ILTB (Infecção Latente Da Tuberculose), onde a pessoa faz um tratamento para esse bacilos que está escondido na pessoa não se manifeste, agora,  para a pessoa saber disso ela precisa ir até uma unidade básica de saúde e fazer um teste tuberculínico, pra ver se ela teve ou não contato com o bacilos.”

Prevenir ainda é o melhor remédio

Sobre a prevenção, o especialista chamou atenção para os determinantes sociais. “A tuberculose está totalmente relacionada a extrema pobreza, a falta de acesso a uma alimentação saudável, falta de saneamento básico, falta de acesso a moradia. Quanto mais pobreza se tem, mais tuberculose vai ter. A saúde sozinha não dá conta de algumas doenças, e a tuberculose é uma delas, quando trabalhamos a questão da proteção social, não é só medicação, é abordar as questões sociais dos pacientes em tratamento. Será que esse cidadão tem moradia, alimentação, acesso a saneamento básico e a saúde? Tudo isso são condicionantes para a tuberculose.”

 

Gisele Souza (gisele@agenciaaids.com.br)

Dica de entrevista

Ministério da Saúde

Tel.: (61) 3315-2838/2745/3580

E-mail: ascom@saude.gov.br

José Carlos Veloso

E-mail: jcveloso@gmail.com

 

Fonte: Agência Aids

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