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16/03/2015

Nota pública sobre os “carimbadores” da TV Globo

A Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e AIDS (RNP+ Brasil) é um movimento que desde 1995 reúne pessoas soropositivas para o HIV.

Por meio de grupos de convivência, adesão e mútua ajuda, a RNP+ Brasil tem por objetivos minimizar o estigma, a discriminação e o preconceito sofridos pelas pessoas infectadas pelo vírus que causa a AIDS.

A RNP+ Brasil não fala em nome de todas as pessoas que vivem com HIV no País. Porém, em respeito às histórias de superação de um diagnóstico que provoca desilusão, abandono e isolamento, e em respeito à sociedade que custeia os medicamentos antirretrovirais distribuídos a todas as pessoas com HIV pelo Sistema Único de Saúde, a RNP+ Brasil vem a público manifestar-se sobre a reportagem exibida neste domingo, 15 de março, durante o programa “Fantástico”, da Rede Globo.

Há 20 anos, a RNP+ Brasil vem lutando pela cidadania plena e pela qualidade de vida das pessoas com HIV. Nesse sentido, a RNP+ Brasil manifesta-se contrária a comportamentos e atitudes de pessoas soropositivas – autointituladas “carimbadores” – pois faltam com respeito ao outro e às próprias vidas na medida em que se expõem a outras doenças como a sífilis e as hepatites virais.

Nesses 20 anos, a RNP+ Brasil vem defendendo a vida, não compactuando com crimes praticados contra indivíduos e contra a saúde pública brasileira.

No entanto, decorridos mais de 30 anos da epidemia de AIDS no Brasil, de toda a informação, avanços científicos e tecnológicos disponíveis para evitar a proliferação do HIV, causa estranhamento que apenas as pessoas com HIV sejam responsabilizadas pela disseminação do vírus.

Lembramos ao “Fantástico” e à TV Globo que a responsabilidade pelo ato sexual não cabe apenas a uma pessoa, mas àquelas nele envolvidas.

Estranhamos que nenhum médico tenha tido a possibilidade de falar ao telespectador sobre as tecnologias disponíveis para evitar a infecção pelo HIV além do preservativo masculino, como a profilaxia pós-exposição, por exemplo.

Causa estranhamento que não se tivesse informado à audiência os resultados de recentes pesquisas científicas que constataram que pessoas com HIV aderentes ao tratamento antirretroviral, com contagem de CD4 acima de 500 cópias/mm3, com carga viral indetectável e sem infecções sexualmente transmissíveis nos seis meses anteriores a uma relação de risco tenham apenas 4% de chances de transmitir o vírus HIV.

Como os dedos das mãos, as pessoas com HIV são diferentes umas das outras. A RNP+ Brasil não representa todas as pessoas com HIV brasileiras. No entanto, em defesa daquelas que se protegem de outras infecções, que protegem seus parceiros sexuais, reafirmamos nosso compromisso com os Direitos Humanos, com a promoção da saúde e da cidadania e com a responsabilidade das pessoas com HIV conscientes de seu tratamento.

A RNP+ Brasil não compactua com práticas individuais que exponham outras pessoas ao vírus HIV.

A RNP+ Brasil repudia interesses contrários ao controle da epidemia de AIDS no Brasil e no mundo.

Por isso, a RNP+ Brasil sugere ao “Fantástico” e à TV Globo que produza uma reportagem que não contenha viés de culpabilização das pessoas que vivem com HIV, que são aderentes aos medicamentos antirretrovirais custeados por toda a sociedade brasileira, e que de fato esclareça sua audiência sobre a responsabilidade de “carimbadores” e “carimbados”.

Se ontem nos escondíamos para morrer, hoje nos mostramos para viver!

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