Com novos registros da doença e aumento de casos em outros países, autoridades de saúde reforçam a importância de manter a vacinação em dia. Pessoas que vivem com HIV também devem ficar atentas às recomendações específicas.
O sarampo voltou a chamar a atenção das autoridades de saúde brasileiras em 2026. Embora o Brasil mantenha o reconhecimento de país livre da circulação endêmica da doença, novos casos relacionados à reintrodução do vírus reforçam a necessidade de manter altas coberturas vacinais. Em atualização divulgada em 28 de julho, o Ministério da Saúde informou que 17 casos de sarampo haviam sido confirmados no país em 2026, com concentração dos registros mais recentes no estado de São Paulo.
O alerta ganhou ainda mais importância diante do aumento da circulação do sarampo em outros países. Em 7 de agosto, o Ministério da Saúde voltou a destacar o risco de entrada de casos importados no Brasil e reforçou as ações de vacinação. Atualmente, está em andamento a Campanha de Multivacinação 2026, que segue até 1º de setembro, com Dia D previsto para 22 de agosto.
O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa, transmitida pelo ar quando uma pessoa infectada tosse, espirra, fala ou respira. Entre os principais sintomas estão febre alta, manchas vermelhas pelo corpo, tosse, irritação nos olhos e mal-estar. A doença pode provocar complicações graves, e a vacinação é a principal forma de prevenção.
Quem precisa se vacinar contra o sarampo?
De acordo com o Calendário Nacional de Vacinação de 2026, a proteção é feita principalmente pela vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. O esquema varia conforme a idade e o histórico vacinal:
- Crianças: primeira dose aos 12 meses e segunda dose aos 15 meses;
- Pessoas de 5 a 29 anos: devem comprovar duas doses; quem não foi vacinado ou está com o esquema incompleto deve iniciar ou completar a vacinação;
- Pessoas de 30 a 59 anos: devem comprovar pelo menos uma dose;
- Profissionais de saúde: devem ter duas doses, independentemente da idade;
- Em situações epidemiológicas específicas, crianças entre 6 e 11 meses podem receber a chamada “dose zero”, que não substitui as doses previstas no calendário de rotina.
Em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, por exemplo, o Ministério da Saúde ampliou temporariamente a vacinação contra o sarampo para pessoas de 6 meses a 59 anos, independentemente do histórico vacinal, como estratégia para interromper possíveis cadeias de transmissão.
Atenção especial para pessoas que vivem com HIV
Pessoas que vivem com HIV também precisam verificar sua situação vacinal. Viver com HIV, por si só, não significa que a pessoa esteja automaticamente impedida de receber a vacina contra o sarampo.
No entanto, há uma orientação importante: a tríplice viral é uma vacina de vírus vivos atenuados. Por isso, sua indicação para pessoas vivendo com HIV deve considerar o grau de imunodepressão e a situação clínica e imunológica de cada pessoa. O Calendário Nacional de Vacinação de 2026 determina que pessoas vivendo com HIV/aids sejam avaliadas conforme o grau de imunodepressão; casos de imunodeficiência clínica ou laboratorial grave exigem avaliação específica do serviço de saúde quanto ao risco e ao benefício da vacinação.
Isso significa que a recomendação não é simplesmente deixar de se vacinar por viver com HIV. Quem não sabe se recebeu as doses necessárias deve levar sua caderneta de vacinação ao serviço de saúde e informar que vive com HIV. A equipe poderá avaliar o histórico vacinal, o acompanhamento clínico e, quando necessário, os parâmetros imunológicos antes de indicar a vacina.
Para as pessoas vivendo com HIV, manter as vacinas indicadas atualizadas faz parte do cuidado integral com a saúde. A vacinação das pessoas que convivem com indivíduos imunodeprimidos também é importante, pois ajuda a diminuir a possibilidade de transmissão de doenças imunopreveníveis dentro da comunidade e do ambiente familiar.
Vacinação protege você e toda a comunidade
A queda na cobertura vacinal permite que doenças que estavam controladas voltem a circular. Em 2025, a cobertura nacional chegou a 92,9% para a primeira dose da tríplice viral e 78,3% para a segunda, índices que reforçam a necessidade de ampliar a proteção da população.
A vacina contra o sarampo é oferecida gratuitamente pelo SUS. Quem estiver com dúvida sobre seu esquema deve procurar uma Unidade Básica de Saúde com a caderneta ou o comprovante de vacinação para avaliação.
Para pessoas vivendo com HIV, a orientação é ainda mais importante: não deixe de se vacinar por conta própria e também não receba uma vacina de vírus vivo sem informar sua condição ao profissional de saúde. Procure a unidade de saúde ou converse com a equipe responsável pelo seu acompanhamento para verificar quais vacinas estão indicadas para você.
Vacinação é prevenção, cuidado individual e proteção coletiva.
